Reproduzo aqui um artigo publicado no Observatório da Imprensa que discute o acesso à internet e a repercussão das eleições iranianas e o golpe hondurenho nesta mídia...
GOLPE EM HONDURAS
A contra-web-revolução
Por Rafael Duarte Oliveira Venancio em 7/7/2009
Junto com a mobilização midiática, especialmente na internet, proporcionada pela Revolução Verde do Irã, ocorria em Honduras um golpe de Estado contra o presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya. Não demorou muito para as comparações serem feitas, sempre na visão de que o heroísmo internético do Irã e o silêncio em Honduras foram construídos pelos grandes conglomerados da mídia internacional.
Novamente, o objetivo aqui não é tomar partido de nenhuma das duas correntes, mas analisar, em breves linhas, a alegada falta de impacto midiático, especialmente no meio digital, que os manifestantes pró-Zelaya proporcionam, inclusive para nós, brasileiros, vizinhos do país centro-americano.
Podemos começar com uma pergunta: "Por que a internet foi arma midiática nas mãos dos iranianos e não a foi nas mãos dos hondurenhos?". Um esboço de resposta simples começa no fato do contraste acerca do acesso à internet dos dois países.
No Irã, segundo dados da consultoria Atieh Bahar, de 2008, há 18 milhões de usuários da internet (quase 25% da população) e, em 2009, o governo australiano identificou mais de 1500 provedores de internet iranianos. Já em Honduras, há 400 mil usuários de internet (quase 6% da população) e 100 provedores.
Ora, seria difícil para um pequeno país da América Central com pouco acesso – e pouco incentivo ao acesso também – digital galgar um movimento amplo de mobilização via internet, tal como Irã. Outro fator crucial foi o fato de existirem muitos imigrantes iranianos na Europa Central e em países vizinhos, possibilitando uma ajuda na disseminação da informação driblando a censura oficial via proxy.
Multidão: jornalista ou testemunha?
Sem a visibilidade midiática adequada, os manifestantes pró-Zelaya se tornam, segundo a leitura de muitos, meros prisioneiros-espectadores do destino político de seu país. Aqui, nessa visão, a multidão é testemunha sufocada, aprisionada e alienada de seu direito de expressão. Sem dúvida, essa visão está correta. No entanto, por que isso acontece?
Em Honduras, encontramos um modelo de comunicação social extremamente baseado no velho broadcasting. Ou seja, poucos meios de comunicação de massa – impressos, rádio e TV – são os únicos pólos de emissão para uma ampla audiência. Essa constituição extremamente verticalizada facilita a censura.
Aliás, informações de censura é o que exatamente recebemos de fontes independentes de notícias. Em 29 de junho, algumas estações foram impedidas de transmitir pelo novo governo central. Até mesmo a CNN em espanhol não teve o seu sinal permitido pelos militares. O que restou foram apenas veículos amigáveis aos contra-Zelaya, que pedem insistentemente à população que deixem de protestar e que continuem a sua rotina normal.
Possibilidade emancipadora da internet
Ora, se Honduras possuísse uma disseminação de informação mais horizontalizada, tal aquela proporcionada por um amplo acesso à internet, o rumo midiático poderia tomar outra direção, inclusive na cobertura brasileira. Quanto mais horizontalizado o sistema de comunicação social, mais difícil censurá-lo e mais fácil de apurar os diversos lados da notícia.
Quando falamos que, na internet, a multidão pode ser jornalista, nos pautamos por uma simples diferenciação. No meio digital, todos podem escrever, todos podem ser blanquis de suas causas. Ora, tal como o velho revolucionário socialista que acreditava que precisava apenas de um pequeno grupo determinado e armado para tomar o poder francês, os internautas parecem dispor de todos os recursos para reportar eles mesmos a sua realidade. O monitor e o teclado viraram a faca e o queijo na mão digital.
O acesso à internet tem que ser tratado como crucial dentro dos direitos à liberdade de expressão. Muito modismo corre na rede, incluindo flashmobs inúteis, no entanto, seria muito enriquecedor ver os hondurenhos saírem da contra-web-revolução posta em marcha muito antes do golpe de Estado contra Zelaya. Com certeza, a revolução pela liberdade e igualdade dos direitos à comunicação não será televisionada, mas poderá ser interneticamente falada.
sábado, 11 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Da garagem para o mundo...virtual
Natália Rodrigues
Com tantas facilidades de se divulgar uma banda na internet, o grande desafio para os apreciadores de música, que passam as tardes ociosas em busca de algo interessante na rede, é realizar a “garimpagem musical”, que consiste em separar os aspirantes a rockstar munidos, simplesmente, de um instrumento musical e muita vontade de ficar famosos, daqueles que, além disso, possuem algum talento e originalidade.
As bandas que antes se limitavam às garagens – e a ocasional festinha entre amigos – encontram no mundo virtual um espaço para mostrarem seu trabalho. Mas não era só a falta de oportunidade que prendia muitas dessas bandas à garagem. A falta de talento era também um fator determinante, e essa carência a internet não pode suprir.
O espaço virtual democrático – que abriga tantas outras bizarrices da sonhada “inclusão digital” – criou, no mundo da música, uma dificuldade para o surgimento de grandes bandas. Na verdade não se trata exatamente do “surgimento” dessas bandas. Elas, de fato, podem já existir, o difícil é encontrá-las no meio de tantas outras.
Algumas bandas conseguiram, sim, “estourar” na internet e atingir os meios mainstream de sucesso. Um exemplo – que não poderia ser outro – são os ingleses do Arctic Monkeys, que disponibilizaram suas músicas na rede e já eram febre quando finalmente lançaram o cd, alcançando o topo das paradas britânicas.
Sites como o myspace (www.myspace.com) estão lotados de novidades musicais. Mas não são apenas músicos iniciantes que se utilizam destes sites como um meio acessível para divulgar seu trabalho, bandas consagradas também aderiram à nova tendência e lançam suas músicas na rede até mesmo para testarem a reação de seus fãs. Foi assim com a banda do ex-hermano Rodrigo Amarante, o Little Joy, que lançou suas primeiras músicas no myspace e tiveram total aprovação dos fãs.
Um outro problema é a falta de originalidade que predomina sobre o som do cenário virtual. As “formulazinhas” que antes determinavam apenas a produção da grande indústria musical são, agora, tendências presentes também na música do cyberespaço. Mas diferentes daquelas, as fórmulas atuais não são garantia de sucesso. Seu único efeito é dar a sensação de que você já ouviu aquilo antes, mas que, agora, já não parece mais interessante.
Vale a pena escutar:
www.myspace.com/arcticmonkeys
www.myspace.com/littlejoymusic
Com tantas facilidades de se divulgar uma banda na internet, o grande desafio para os apreciadores de música, que passam as tardes ociosas em busca de algo interessante na rede, é realizar a “garimpagem musical”, que consiste em separar os aspirantes a rockstar munidos, simplesmente, de um instrumento musical e muita vontade de ficar famosos, daqueles que, além disso, possuem algum talento e originalidade.
As bandas que antes se limitavam às garagens – e a ocasional festinha entre amigos – encontram no mundo virtual um espaço para mostrarem seu trabalho. Mas não era só a falta de oportunidade que prendia muitas dessas bandas à garagem. A falta de talento era também um fator determinante, e essa carência a internet não pode suprir.
O espaço virtual democrático – que abriga tantas outras bizarrices da sonhada “inclusão digital” – criou, no mundo da música, uma dificuldade para o surgimento de grandes bandas. Na verdade não se trata exatamente do “surgimento” dessas bandas. Elas, de fato, podem já existir, o difícil é encontrá-las no meio de tantas outras.
Algumas bandas conseguiram, sim, “estourar” na internet e atingir os meios mainstream de sucesso. Um exemplo – que não poderia ser outro – são os ingleses do Arctic Monkeys, que disponibilizaram suas músicas na rede e já eram febre quando finalmente lançaram o cd, alcançando o topo das paradas britânicas.
Sites como o myspace (www.myspace.com) estão lotados de novidades musicais. Mas não são apenas músicos iniciantes que se utilizam destes sites como um meio acessível para divulgar seu trabalho, bandas consagradas também aderiram à nova tendência e lançam suas músicas na rede até mesmo para testarem a reação de seus fãs. Foi assim com a banda do ex-hermano Rodrigo Amarante, o Little Joy, que lançou suas primeiras músicas no myspace e tiveram total aprovação dos fãs.
Um outro problema é a falta de originalidade que predomina sobre o som do cenário virtual. As “formulazinhas” que antes determinavam apenas a produção da grande indústria musical são, agora, tendências presentes também na música do cyberespaço. Mas diferentes daquelas, as fórmulas atuais não são garantia de sucesso. Seu único efeito é dar a sensação de que você já ouviu aquilo antes, mas que, agora, já não parece mais interessante.
Vale a pena escutar:
www.myspace.com/arcticmonkeys
www.myspace.com/littlejoymusic
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Mobile Journalism
Pesquisando sobre os palestrantes do Intercom Nacional 2009, evento que acontece de 4a 7 de Setembro em Curitiba, encontrei o professor Fernando Firmino da Silva, doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA. Ele tem um blog chamado Jornalismo Móvel (mobile journalism), onde publica as novas tendências da mobilidade, além de matérias sobre o assunto.
Uma que destaco é sobre a modernização do Correio Braziliense, de Brasília, que apostou na interação com o leitor por meio do celular. O jornal disponibilizou todo o conteúdo do impresso para celulares, para conexão sem fio ou pela própria rede do aparelho. O interessado não precisa pagar nada ao periódico para ter acesso ao conteúdo.
Além disso, quem possuir um aparelho smartphone pode abusar da interatividade por meio do QR Code, ( código de barras bidimensional, 2D, criado pela empresa japonesa Denso-Wave em 1994) que decodifica endereços para web. É um código para ser interpretado rapidamente por imagens, até as de baixa resolução como as dos celulares. Com a câmera do aparelho, é só fotografar o código no jornal impresso correspondente ao assunto de interesse, que o leitor tem acesso à rede automaticamente.
Para saber mais detalhes acessem
"http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/06/21/tecnologia,i=120440/SITE+DO+CORREIO+BRAZILIENSE+GANHA+VERSAO+GRATUITA+PARA+CELULARES.shtml"
E também o blog jornalismomovel.blogspot.com/
PS: Não estou ganhando comissão do professor para divulgar o blog (rs), mas achei interessante a discussão das novidades tecnológicas para a nossa área.
Abraços!
Georgia
Uma que destaco é sobre a modernização do Correio Braziliense, de Brasília, que apostou na interação com o leitor por meio do celular. O jornal disponibilizou todo o conteúdo do impresso para celulares, para conexão sem fio ou pela própria rede do aparelho. O interessado não precisa pagar nada ao periódico para ter acesso ao conteúdo.
Além disso, quem possuir um aparelho smartphone pode abusar da interatividade por meio do QR Code, ( código de barras bidimensional, 2D, criado pela empresa japonesa Denso-Wave em 1994) que decodifica endereços para web. É um código para ser interpretado rapidamente por imagens, até as de baixa resolução como as dos celulares. Com a câmera do aparelho, é só fotografar o código no jornal impresso correspondente ao assunto de interesse, que o leitor tem acesso à rede automaticamente.
Para saber mais detalhes acessem
"http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/06/21/tecnologia,i=120440/SITE+DO+CORREIO+BRAZILIENSE+GANHA+VERSAO+GRATUITA+PARA+CELULARES.shtml"
E também o blog jornalismomovel.blogspot.com/
PS: Não estou ganhando comissão do professor para divulgar o blog (rs), mas achei interessante a discussão das novidades tecnológicas para a nossa área.
Abraços!
Georgia
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