quarta-feira, 29 de abril de 2009

Twittermania

E já que o twitter virou assunto na sala de aula, olhem só este texto que encontrei:

Mais de 60% dos usuários deixa Twitter em um mês
Pesquisa mede o tráfego da rede social e aponta dúvidas quanto sucesso a longo prazo do serviço de microblog que virou mania na internet

As pessoas que usam o Twitter hoje podem desistir do serviço de microblog amanhã, de acordo com dados que questionam o sucesso em longo prazo da mais recente sensação das redes sociais.

Dados da Nielsen Online, que mede o tráfego da Internet, constataram que mais de 60% dos usuários do Twitter deixaram de usar o site gratuito um mês depois de aderirem.

"O índice de retenção de audiência do Twitter, ou a porcentagem dos usuários em um determinado mês que continuam a usar o site no mês seguinte, é atualmente da ordem de cerca de 40%", informou David Martin, vice-presidente de pesquisa primária da Nielsen Online, em comunicado.

"Pela maior parte dos 12 meses passados o Twitter manteve índice de retenção da ordem de 30%", acrescentou.

O Twitter foi criado três anos atrás como um serviço de Internet que permite que as pessoas acompanhem mensagens de no máximo 140 caracteres, ou "tweets", de amigos ou celebridades, que podem ser lidos em computadores ou com aparelhos portáteis.

Mas o serviço vem desfrutando de um surto recente de popularidade devido à adesão de celebridades como o ator Ashton Kutcher e a apresentadora de televisão Oprah Winfrey, que o elogiaram publicamente e enviam "tweets" para alertar os leitores sobre notícias urgentes ou informá-los quanto às atividades mais mundanas dos remetentes.

O presidente norte-americano, Barack Obama, usou o Twitter durante a campanha eleitoral do ano passado, e outras celebridades no Twitter incluem o astro do basquete Shaquille O'Neal e as cantoras Britney Spears e Miley Cyrus.

O Twitter é uma empresa de capital fechado e não revela seu número de usuários, mas de acordo com a Nielsen Online recebeu mais de 7 milhões de visitantes em fevereiro deste ano, ante 475 mil em fevereiro do ano passado.

No entanto, Martin diz que um índice de retenção de 40% limitaria o crescimento do site a um alcance de 10%, no longo prazo.

"Simplesmente não existem usuários novos suficientes para compensar os perdidos, depois de um certo ponto", afirmou ele.

FONTE:http://www.abril.com.br/noticias/tecnologia/mais-60-usuarios-deixa-twitter-mes-467204.shtml


Postado por Bruna Komarchesqui

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Blogs como nova categoria de webjornalismo

O artigo Blogs como nova categoria de webjornalismo, de Juliana Lúcia Escobar, traz uma análise de como as potencialidades da web – referentes à disposição e à divulgação de qualquer tipo de conteúdo – podem ser exploradas pela produção jornalística em blogs. Para isso, a autora realizou um estudo de caso, utilizando como o objeto de análise o Blog do Noblat, que ganhou destaque devido à cobertura realizada durante o escândalo do mensalão.

A hipótese inicial lançada pela autora é de que o jornalismo de blog tem se apresentado como uma nova categoria para o webjornalismo. A perspectiva adotada para o desenvolvimento desta concepção de produção jornalística em blogs considera aspectos de continuidade mais do que o de ruptura nas características dos veículos. Deste modo alguns atributos são comuns ao jornalismo praticado em diferentes suportes, e estes se somam às potencialidades de cada meio. Para considerar um blog como veículo jornalístico, portanto, a autora busca identificar tais atributos.

Antes de apresentar os atributos de um blog jornalístico, Escobar (2007, p.219) apresenta sua definição de blog. Segundo a autora, eles não mais se limitam a diários virtuais, como foram vistos inicialmente, são, na verdade, “um novo mecanismo de produção e divulgação de conteúdos na web que gera um modelo específico de site”. Ela ainda define três atributos que caracterizam um site como blog: facilidade e agilidade na produção de conteúdo – por dispensar conhecimento de linguagens de programação como HTML, PHP ou JavaScript -; apresentação do conteúdo em ordem cronológica inversa, em que as publicações vão se sucedendo da mais antiga para a mais recente; e registro automático de data, hora e autor de cada post. Além destes atributos básicos, outros podem ser oferecidos por diferentes softwares, como comentáros, permalinks e linkbacks.

A autora também apresenta a diferenciação entro os conceitos de “blog/texto”, “blog/programa”, e “blog/lugar”, proposta por Primo e Smaniotto (2006). Segundo estes autores o “blog/texto” diz respeito a todo o conteúdo produzido pelo blogueiro, podendo ser textos, imagens, áudios e vídeos. O “blog/programa” se refere ao software utilizado para a produção do “blog/texto”. O “blog/lugar”, por sua vez, seria a localização do blog/texto na rede.

Entre os atributos comuns à prática do jornalismo nos diferentes meios, a autora destaca a notícia – matéria-prima da atividade jornalística -, a novidade, a atualidade, a universalidade, o interesse e a veracidade. Esta última, apesar das divergências a respeito da fidelidade e objetividade do relato jornalístico, encontra sua sustentação na idéia consensual de que o jornalismo refere-se à realidade. A partir destes atributos gerais do jornalismo, sua prática, como fruto da ação de agentes humanos, pode incorporar inovações e promover renovações dentro das potencialidades de cada meio.

Segundo Deuze, (2002 apud ESCOBAR, 2007, p.223), “os blogs estariam situados em algum patamar entre os sites do tipo metajornalístico e de comentários e os destinados a compartilhamento e discussão”. De acordo com este autor, os blogs são publicações individuais e personalizadas não podendo, portanto, se configurarem como veículos jornalísticos.

Para Escobar, é justamente a personalização que possibilita considerar um blog como jornalístico, uma vez que é a utilização que cada agente humano faz desta tecnologia que determina o conteúdo do veículo. Deste modo a determinação de um blog como jornalístico depende, fundamentalmente, de uma análise de seu conteúdo, ou seja, da maneira que tem sido explorado pelo blogueiro.

Quando um blog é jornalístico

Para ser considerado jornalístico, um blog deve ser difundido a um grande número de pessoas e divulgar fatos atuais, verídicos, "(...) dotados de atualidade, novidade, universalidade e interesse." (ESCOBAR, 2007, p.224) Não é considerado jornalístico apenas porque quem o mantém é um jornalista, já que seu conteúdo pode se destinar a outros assuntos.

Sobre a difusão, a autora aponta que alguns servidores de blogs tem a opção de acesso restrito para o usuário (Blogger, Livejournal) e, por isso, mesmo que estejam na web, não podem ser vistos por qualquer público. Assim, estar disponível na web não é sinônimo de estar acessível para todos. Para um grande número de acessos, é preciso também que o dono do blog jornalístico se disponha a divulgá-lo para atrair internautas e que o conteúdo seja sempre atualizado, para trazer interesse. Quanto à periodicidade, os blogs jornalísticos costumam manter-se atualizados - respeitando a prioridade do tempo dos meios de comunicação online -, enquanto blogs comuns dependem da disposição do blogueiro.

Blogs jornalísticos e o que trazem de novo

Os blogs inovaram com a mudança no formato de apresentação das informações. A velha diagramação dos veículos impressos, eletrônicos ou online, que chama a atenção para as manchetes ou as notícias consideradas de maior interesse público perdem essa hierarquização. Nos blogs, a importância de uma informação é "(...) a que foi publicada mais recentemente" (ESCOBAR, 2007, p.227). Para que uma publicação tenha mais acessos, segundo a vontade do blogueiro, basta que ele não atualize seu blog, mantendo a notícia no alto da página.

O leitor dos blogs

De acordo com Escobar (2007, p. 229), o único leitor capaz de usufruir plenamente das informações da internet - e, consequentemente, dos blogs de jornalismo – é aquele que já é “web educado”, o seja, aquele que domina a linguagem dos hipertextos e das multimídias. Esse leitor, considerado ideal, seria menos dependente da hierarquização jornalística das notícias porque ele mesmo prefere definir as suas prioridades. Para a autora (id, ibid), ele seria “[...] capaz de desempenhar o papel de webeditor [...]. Apto a ouvir, ler, ver, clicar, teclar – tudo ao mesmo tempo -, seria alguém capaz de agir mais do que rápida, simultaneamente”.

A própria internet tem um caráter pedagógico (ESCOBAR, 2007, p.230), pois ela condiciona o leitor a ler dessa nova forma. Quanto mais se usa a internet e seus recursos, mais se aprende essa cultura da interface. Porém, além de saber utilizar sites e blogs, o internauta precisa ser capaz de reconhecer se essas páginas são confiáveis. Ainda que existam portais consolidados e de credibilidade, nem toda informação está contida neles. Quer dizer, mais do que navegar, é preciso estar informado e ter espírito crítico.

Wolton (apud ESCOBAR, 2007, p. 231) complementa esse raciocínio, pontuando que o problema não é o acesso à informação, mas a capacidade de saber o que procurar. É preciso ter “competência para assimilar o aprendizado”, principalmente porque não há um professor, um pesquisador, ou qualquer tipo de intermediário para facilitar o acesso ao que não se conhece. Para ele, é um tipo de emancipação – não no sentido de “libertação” do intermediário, mas sim no processo de valorização do seu papel. E quem seriam esses novos intermediários da web? Para Escobar (id, ibid), os jornalistas de grande prestígio que migraram para internet - assim como as grandes organizações midiáticas - podem exercer essa função, servindo de filtros e guias tanto para internautas experientes quanto inexperientes. Ela destaca, como exemplo, os comentaristas e colunistas de jornais renomados que, no uso dos seus blogs, não só noticiam um acontecimento como o analisam, interpretam.

Enfim, para a autora (2007, p. 233) os blogs facilitaram a produção e a divulgação de conteúdos para qualquer pessoa. Os jornalistas, porém, ainda tem o seu espaço e desempenham sua função: a de serem ouvidos e de terem as suas opiniões consideradas.

Texto:
Claudia Yamaki
Juliana Teixeira
Natália Rodrigues


Referências bibliográficas:
ESCOBAR, Juliana Lúcia. "Deu no post - blogs como nova categoria de webjornalismo: um estudo de caso sobre o Blog do Noblat". Universidade do Estado do Rio de Janeiro, PPGC. Dissertação de Mestrado, 2007.

Confiabilidade, credibilidade e reputação: no jornalismo e na blogosfera

Rogério Christofoletti e Ana Paula França Laux

A disseminação dos blogs aponta para um novo relacionamento entre produtores e receptores de notícias. Christofoletti demonstra que os blogs não só funcionam como ferramentas de apoio a outros meios de comunicação, mas também como canal de experimentação de novos formatos e linguagens jornalísticas.
Nos Estados Unidos os blogueiros têm uma participação mais ativa, influenciando até na escolha de pautas. No Brasil os jornalistas-blogueiros são aqueles que já possuem um reconhecimento em outras mídias.
O quesito imprescindível no jornalismo é a credibilidade, este fator pode estar presente ou não no jornalismo on-line. Para entender melhor é preciso analisar o nascimento dos blogs. Nos anos 90 era uma espécie de diário virtual, com teor pessoal; alguns anos depois os jornalistas perceberam ali uma possibilidade de “mídia de um homem só”. Os blogs também mudaram a posição do receptor: ele deixa de ser passivo e passa a ser produtor de mensagem.
Hoje os blogs procuram aliar a credibilidade e velocidade. No entanto a necessidade de publicação quase de minuto a minuto, deixa a velocidade mais valiosa que a veracidade dos fatos, não dando tempo para a confirmação dos dados. Outro problema é o “copia e cola” das notícias, tornando difícil descobrir a origem da publicação.
Assim, a credibilidade dos sites on-line está ligada às mídias tradicionais, o que segundo Adghirni, mostra a “dependência e insuficiência da Internet como mídia”.
Já Catarina Rodrigues afirma que experiência, confiança e prestígio influenciam na relação do público com o blogueiro, ou seja, “um autor anônimo nunca terá a mesma credibilidade de alguém perfeitamente identificado” (p.36).
A mídia on-line ainda está em fase de crescimento, por enquanto livre dos domínios das grandes corporações de comunicação, tornando os blogs um meio de expressão da vontade popular; pois o público não recebe passivamente as informações, ele discorda, acrescenta dados e aponta erros.

Novas mídias, novos desafios para a credibilidade

Apesar de se tratar de uma mídia nova, muitos estudos e pesquisas têm surgido no campo do jornalismo on-line. Em 2006 foi realizado nos Estados Unidos o estudo “How credible are online news sources?”, em que 1649 pessoas responderam questões em quatro grandes sites de informação. As conclusões da pesquisa foram estas:

- mesmo utilizando os sites noticiosos com certa freqüência, as pessoas ainda acreditam que os jornais são mais confiáveis;
- para aqueles que responderam o questionário, o jornais são os que têm mais credibilidade (35%), seguido da Internet e da TV (ambos com 18%) e o rádio (12%);
- de acordo com a faixa etária, os mais velhos deram mais créditos aos veículos online;
- as pessoas acreditam mais em fontes da Internet vinculadas aos órgãos de imprensa ou redes de televisão com os quais estão mais familiarizados;
- a grande maioria respondeu que as notícias online são bem apuradas e atuais;
- concluiu-se, portanto, que os usuários da Internet condicionam o consumo de informações a outras mídias, mas mesmo assim a credibilidade dos conteúdos da web vem crescendo.

Outros estudos realizados chegaram a conclusões interessantes sobre essa nova mídia. No Brasil, uma pesquisa realizada em 2005 concluiu que muitas pessoas já acreditam na profissão de blogueiro. Em outra pesquisa realizada nos Estados Unidos, 13% das pessoas afirmaram que as notícias da Internet são as fontes de informação mais confiáveis.
Em 2004, no mesmo país, uma pesquisa concluiu que 20% dos leitores de jornal acompanhavam blogs com alguma freqüência, embora não regularmente. Um dos motivos seria o fato dos blogs noticiarem acontecimentos que não apareciam na grande mídia. Os leitores reconheciam que havia falhas no veículo, mas isto seria compensado pela abertura, interatividade e relatos mais honestos.
Enquanto isso, os pesquisadores já sabiam que os blogs influenciariam a grande mídia a se tornar mais interativa, dialógica e informal, pois “os blogs ajudam a questionar a objetividade jornalística, o equilíbrio do noticiário, a qualidade de apuração das informações” (p.39).
Outras semelhanças e diferenças entre blogs e a grande mídia seriam a) a segmentação de mercado, onde os “melhores” tem mais credibilidade, audiência e influência, enquanto os “piores”, apesar de também terem público, não têm tanta credibilidade, o que também acontece com alguns tablóides (neste caso, trata-se dos tablóides norte-americanos, uma vez que esta pesquisa também foi realizada naquele país); além disso, b) os blogueiros são editados depois de publicados, enquanto na grande mídia acontece o inverso: os repórteres são editados antes da publicação. Os blogs, assim, poderiam ensinar uma valiosa lição à grande mídia: o aprofundamento das matérias após a publicação. Já os blogs aprenderiam com a grande mídia sobre o que é importante para apurar as informações antes da publicação.
Diante de tudo isso, já estaríamos vivendo a terceira fase do jornalismo, o “Jornalismo 3.0”, “de socialização da informação, por meio de uma conversação virtual onde os participantes intervêm na própria mensagem” (Varela apud Christofoletti, Laux, p.41). Nesta fase, a intermediação entre a mídia e a fonte é reduzida – o blogueiro pode falar diretamente sobre os assuntos que desejar –, a comunicação se torna mais interpessoal, aproximando-se da conversação, entre outras transformações. Enfim, na terceira fase do jornalismo a informação está mais acessível a quem quer dar a notícia ou recebê-la.

Emergência de novos sistemas de reputação

A confiabilidade crescente nos meios online tem relação com a diminuição da credibilidade dos meios tradicionais, segundo estudos internacionais (da BBC e da Reuters, por exemplo). No entanto, os blogs ainda são as fontes de informação onde as pessoas depositam menos confiança. O Brasil é o país onde há menor confiabilidade nos blogs (20%) e maior desconfiança (45%), de acordo com uma pesquisa.
Uma saída para essa desconfiança são os mecanismos já utilizados na Internet, onde pessoas utilizam determinados serviços ou acessam determinados sites de comunicação e deixam registradas suas opiniões a respeito deles. É o caso da Amazon Books ou do Mercado Livre, onde os compradores avaliam o serviço prestado pela empresa, criando um banco de dados para os próximos clientes avaliarem se devem ou não solicitar o serviço. No caso dos blogs, os próprios blogueiros indicam links para outros sites e/ou blogs, abrindo um canal para que leitores acessem estes links e os avaliem também, numa espécie de credibilidade no “boca a boca”.
Apesar de contar com a avaliação pessoal do internauta, estes sistemas de avaliação são mais transparentes que os tradicionais, pois muitas pessoas avaliam o mesmo produto ou serviço, diferentemente do julgamento de uma única pessoa. Assim, trata-se de um meio de avaliação mais democrático.

Conclusão

A blogosfera utiliza-se dos mesmos critérios das mídias convencionais e dos mesmos sistemas de reputação para atribuir credibilidade às informações que veicula. No entanto, novos mecanismos têm surgido para que se estabeleçam critérios de confiabilidade de informações. Serão “dispositivos e sistemas que não apenas distingam qualidade jornalística, mas que também funcionem como certificadores da credibilidade dos meios onde se veiculam tais notícias” (p.46).
Além disso, os blogs têm atraído a atenção dos jornalistas que já possuem credibilidade na mídia tradicional, por se tratar de uma mídia que proporciona maior liberdade e instantaneidade, além da utopia profissional, afinal, os blogs são o caminho para a mídia individual, a mídia de um homem só.
No entanto, em uma época em que popularidade se confunde com reputação – onde confiabilidade e notoriedade parecem ser sinônimas –, o desafio de especialistas e profissionais é demarcar os contornos da credibilidade, seja na blogosfera ou na mídia convencional.

Fonte: CHRISTOFOLETTI, Rogério; LAUX, Ana Paula França. Confiabilidade, credibilidade e reputação: no jornalismo e na blogosfera. Intercom - Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. São Paulo, v.31, n.I, p.29-49, jan./jun. 2008.

Filme discute o papel do jornalismo hoje

Longa americano estreia no Brasil em 12 de junho
Sérgio Dávila*

De quando em quando, o cinema norte-americano produz um filme importante sobre jornalismo. Para ficar apenas em dois exemplos, os anos 70 tiveram "Todos os Homens do Presidente", de Alan Pakula, em que Robert Redford e Dustin Hoffman reencenavam a apuração do escândalo de Watergate. Duas décadas depois, era a vez de Ron Howard mostrar o pulso de um tabloide nova-iorquino em "O Jornal".
Agora, chega às telas dos EUA "State of Play", "o estado das coisas", em tradução livre, que no Brasil se chamará "Intrigas de Estado" e tem estreia prevista para 12 de junho.
É um grande filme, mais na linha "O Dossiê Pelicano" (1993, do mesmo Pakula), no sentido de que a trama policial é o fio condutor, do que de "Todos os Homens", em que a discussão política costurava a narrativa. Mas é o tema incidental que tem chamado mais a atenção e levados jornalistas às lágrimas ao final dos 127 minutos de exibição: a importância institucional da imprensa escrita e a crise por que ela passa nos Estados Unidos, causada por um modelo de negócios que se provou equivocado e alimentada pela recessão econômica.
O argumento de "State" é de que sem repórteres com experiência e tempo para trabalhar numa história não há jornalismo digno do nome, e, sem esse, o sistema de freios e contrapesos que regula os poderes perde um componente vital.

'Novo Mundo'
O filme não rejeita o "novo mundo" dos blogs, por exemplo, apenas sugere que a nova mídia tem a ganhar se incorporar a consistência da velha, em vez de simplesmente a negar ou torcer por sua extinção, como é o caso de nove em cada dez blogueiros.
"State" faz isso ao reimaginar para os novos tempos a parceria Carl Bernstein-Bob Woodward, agora com um jornalista veterano (Russell Crowe) que é obrigado a se aliar a uma jovem blogueira (Rachel McAdams) para investigar uma história, que envolve um político (Ben Affleck) e uma empresa de mercenários que lembra a Blackwater.
Ambos trabalham para o mesmo jornal em crise, o fictício "Washington Globe".
No final, ganham todos, a República, Hollywood e o jornalismo.


*retirado da FOLHA DE S. PAULO, caderno llustrada, p. E4, do dia 24 de abril de 2009.

Trailer do filme
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Comentei com o Vitor do filme e acho que pode ser legal pra quem se interessar pelo assunto. Transcrevi a sinopse que o repórter da Folha de S. Paulo escreveu.

Claudia

terça-feira, 7 de abril de 2009

Enchentes em SC e o jornalismo cidadão

Este texto já parece um "escola Base" desta disciplina. Serve como exemplo para todas as nossas aulas... Então eu recuperei o link e posto aqui para que todos tenham a oportunidade de ler. Assim, mais pessoas poderão usá-lo como exemplo durante as aulas.
Não vou publicar o texto todo como fiz anteriormente porque ele tem foto e links, etc. É melhor ir direto na página do Observatório da Imprensa para ler. Porém, deixo a conclusão do autor, o jornalista Carlos Castilho:

"Esta primeira grande experiência de uso de blogs e do twitter em situações de emergência no Brasil deixa uma lição. Em matéria de noticiário local e hiper-local (cobertura de bairros, ruas e condomínios), os blogs são imbatíveis pela sua agilidade, capilaridade e ubiqüidade, embora a credibilidade deva ser avaliada com cuidado.
A tragédia de Blumenau e Itajaí mostrou também o calcanhar-de-aquiles da mídia convencional, em especial a sua dificuldade em livrar-se dos vícios e cacoetes criados pela competição, guerra de audiência e pela sua insistência em valorizar mais a performance do que a prestação de serviços."


O link para o texto completo é: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id=%7BD9D1E183-DC2A-4489-9DD7-D955A6C7EBB3%7D

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Fotografia, Blogs e Jornalismo na Internet: oposições, apropriações e simbioses


Texto: Geórgia, Beatriz e Luis">

Vivemos na sociedade da visualidade, como afirma Baitello Jr.(2005), onde a imagem exerce fascínio sobre nossos olhos, em detrimento dos outros sentidos. Com o incentivo da visão, as imagens ganham espaço, e conquistam os olhares especialmente daqueles que mergulham na internet, local de grande atrativo para a disseminação fotográfica. Aliada a riqueza das cores e dinamicidade das figuras, a web é um meio amplamente utilizado para a divulgação de todo e qualquer tipo de imagem. E, como não poderia ser diferente, o fotojornalismo também conquistou seu espaço. A princípio, nos tempos do nascimento do webjornalismo, a inserção do material fotográfico na rede andava a passos lentos. No momento em que se efetivava um boom de conteúdos no sistema on-line, o mesmo não ocorria com a produção de imagens para rede, uma vez que faltava investimento. O jornalismo da web era basicamente textual.

Aos poucos esta realidade mudou. O formato Blog (Weblog), tão conhecido atualmente, ganhou destaque para a disponibilização de material jornalístico, mas nos primeiros anos de seu surgimento, apresentava poucas fotografias sobre os assuntos abordados. Isso ocorria em função do acesso restrito dos internautas à banda larga, especialmente no Brasil, o que dificultava obter as imagens, devido a lentidão da rede.

Juntamente com as transformações que se deram no blog, os veículos tradicionais migraram para a web, fazendo fusões e trocas de informação com este formato, dominado, praticamente pelos cidadãos. Assim, fotografia e texto ganham espaços ilimitados na rede, superando um dos obstáculos dos veículos impressos que trabalham com áreas restritas.

Sobre os assuntos dos blogs jornalísticos, um de grande expansão é o jornalismo cidadão e tem se tornando uma importante ferramenta para a expressão das idéias do público. O conceito de jornalismo cidadão, existe desde século XIX, mas nunca foi tão explorado como nos últimos anos. Foi por meio da fotografia digital que a participação do jornalismo cidadão se efetivou. Com este exercício, muitos amadores podem registrar cenas instantâneas (como acidentes, incêndios), que os profissionais poderiam não conseguir capturar em tempo hábil. Um exemplo deste tipo de participação é o blog Notícias de Blumenau, que iniciou sua atividade em decorrência das tragédias climáticas do litoral catarinense em 2008. O mesmo não transcorria no período da fotografia analógica, pois o acesso ao equipamento era bem menor do que hoje, devido aos altos custos. Além da câmera digital, os celulares também se tornaram ferramentas de registro do real, se tornando mais um aliado para o exercício do jornalismo cidadão.


Como se pode perceber, as facilidades que a internet oferece para a produção de conteúdos, aliado ao aumento de adesão da banda larga e ao barateamento das novas tecnologias (como a fotografia digital), efetivaram o exercício do jornalismo cidadão na rede. A preocupação que precisa ser constante é quanto ao limite entre o ato do cidadão e a função do jornalista, que foi capacitado para trabalhar com a informação, seja ela escrita ou fotográfica. Saber como organizar a informação ou ainda qual foto melhor representa o assunto tratado são só alguns dos detalhes que precisam ser analisados pelo profissional da comunicação social. Além disso, um jornalista requer formação ética e profissional para o exercício de sua atividade. O fato é que o jornalismo cidadão está presente e atuante e caminha lado a lado com o jornalista. Mas a discussão sobre o tema precisa ser constante para evitar abusos.

Um grande exemplo do uso da fotografia como meio de informação jornalística na era digital são os fotologs. De acordo com o Marcos Palacios, a diferença entre blogs e fotologs é que o segundo valoriza muito mais as imagens. Mas como nem todos os fotologs têm uma preocupação social ou são de oposição à grande imprensa, o autor propõe a seguinte classificação:

Blogs fotojornalísticos: têm mais textos do que fotos, se assemelham com os blogs dos jornais impressos.

Fotologs jornalísticos: são como galerias de fotografias, com pouco texto, sendo esse usado apenas para contextualizar. Um exemplo é o Foco Seletivo.

Fotologs jornalísticos de clipagem: muita imagem e pouco texto, apresentam também uma seleção de imagens jornalísticas da internet. Um exemplo é o Fotojornalismos.

Fotologs jornalísticos de discussão: alem das imagens, também se apresentam como um espaço de discussão jornalística.

De acordo com o autor, os meios de comunicação tecnológicos são cada vez mais usados em momentos de tensão, em que a grande imprensa tem medo, não pode divulgar ou não tem acesso a todos os dados da situação. Foi o que aconteceu nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos E.U.A.

Nesse episódio, a internet foi usada em larga escala, tanto para comunicação interpessoal (troca de informação, saber notícias de outras pessoas), como para informações visuais (fotos e vídeos). Já durante a guerra do Iraque, os blogs passaram a divulgar mais imagens sobre a situação no país. Assim como quando aconteceu o Tsunami, em que a internet ajudou na assistência às vitimas e no repasse de informações. Além disso, outra forma de comunicação virtual foi experimentada no ataque terrorista de e de 7 de julho de 2005 em Londres, foram os MoBlogs (junção de mobile com blogs). Esse foi um meio de comunicação usado, em que as pessoas passavam fotos e informações pelo celular, usando a internet.

Os primeiros anos do século XXI foram marcados por atentados terroristas, catástrofes climáticas e uma série de eventos de relevante impacto social. Foi justamente neste contexto que o jornalismo cidadão, praticado no ambiente da web, despontou como uma vertente alternativa do jornalismo capaz de informar, em muitos casos, melhor que a grande imprensa. Claramente o desenvolvimento das tecnologias digitais e o consequente barateamento de câmeras fotográficas e celulares com dispositivos fotográficos embutidos facilitaram a vida do cidadão ansioso em retratar o cotidiano através de suas fotos. Por conseguinte a própria internet, com seus ágeis recursos de publicação e espaço praticamente ilimitado, foi o campo ideal para abarcar conteúdos produzidos por indivíduos comuns a princípio desconectados das empresas midiáticas. Segundo Palacios e muitos outros autores vivemos num momento cujas facilidades técnicas de produção e publicação de textos, imagens, vídeos etc. transformaram o cidadão, antes somente receptor, em um verdadeiro emissor de mensagens.


No entanto essa eufórica democratização das mensagens midiáticas não está livre de críticas. Embora haja, de fato, uma rápida e constante expansão informacional na web, grande parte das informações não foi processada de acordo com as técnicas jornalísticas, portanto não alcançaram ainda o status de notícia. Muito do que se vê hoje na internet é ruído. O internauta deve estar habituado para garimpar a imensa quantidade de dados, julgando-os como válidos ou não. Contudo nada disso impede que a grande imprensa beba na fonte da blogosfera. É cada dia mais comum grandes empresas jornalísticas buscarem informações e pautarem seus repórteres a partir de blogs. Muitas fotos e vídeos, capturados por câmeras amadoras, são incorporados ao arsenal da imprensa tradicional, por exemplo. Além disso, jornais consolidados e agencias de notícias já disponibilizam na web seus blogs, como é o caso do Wall Street Journal e Reuters, o primeiro sobre Legislação e o segundo para abrigar material alternativo dos fotógrafos profissionais da agência.

As portas vão gradualmente se abrindo. Alguns portais noticiosos além de contarem com suas equipes profissionais também investem para que o restante da sociedade participe enviando material. O site coreano OhmyNews, segundo Marcos Palacios, mobiliza mais de 41 mil repórteres não profissionais. No Brasil os portais Terra e Globo Online também cedem espaços para a publicação amadora, como é o caso do Vc Repórter e Eu-Repórter, respectivamente. A práxis jornalística, na atualidade, tende a agregar cada vez mais material não profissional, produzido pelos cidadãos de toda a parte do mundo. Caberá saber se os jornalistas num futuro próximo perderão terreno fértil de trabalho ou se irão conceber novas formas de retratar os fatos noticiosos do cotidiano.

Referências:

BAITELLO Jr., Norval. A era da iconofagia. São Paulo: Hacker, 2005.

PALACIOS, Marcos in BARBOSA, Suzana (Org.). Jornalismo Digital de Terceira Geração. Covilhã: Labcom – Universidade da Beira Interior, 2007.

Webjornalismo: da pirâmide invertida à pirâmide deitada

Webjornalismo: Da Pirâmide invertida à pirâmide deitada

João Canavilhas

Com o aparecimento do jornalismo digital, a técnica da pirâmide do jornal impresso está em debate devido à sua característica. Esta técnica apresenta as informações de uma notícia na ordem das mais importantes para as complementares. Isso possibilita ao editor de jornal fazer, quando necessário, cortes no final do texto para encaixar a redação na página do veículo. É também adotada pelas agências de notícia num seguimento de regras de mercado. Já o leitor, se considerarmos sua disposição de tempo e seu grau de interesse pela notícia, pode interromper a leitura quando julgar conveniente, sem o prejuízo de perder as informações essenciais.

No webjornalismo a pirâmide invertida é secundária. Porque o hipertexto – blocos correlativos de informação – permite leitura sistematizada. Cada leitor pode, por meio de menu ou palavras-índice, fazer acessos diferenciados.

Para conhecer a diversidade desses percursos de leitura, Canavilhas realizou uma experiência em que um número determinado de leitores tiveram disponível uma notícia com hipertexto. Por essa análise o autor apresenta estatísticas e uma nova forma de construção de texto, a que nomeia pirâmide deitada.

O desenvolvimento dos meios de comunicação

O desenvolvimento dos meios tradicionais de comunicação social tem a ver com fatores externos. A expansão das ferrovias, por exemplo, possibilitou a ampliação da área de influência dos jornais. Fato análogo ocorre na difusão do webjornalismo que está condicionada ao acesso. Este, no entanto, é bastante desigual entre os continentes.

Outro fator que limita os recursos digitais de informação é a ligação dial-up, que restringe ao usuário o acesso a grandes arquivos como os audiovisuais.

Desde os primórdios da edição eletrônica, os jornais foram sendo estruturados com informática e softwares afins. Com isso no advento da Internet as versões on-line de jornal foram criadas quase sem custo adicional. Alguns fatores como o de ordem econômica e a estrutura reconhecida de redação contribuíram para que o jornalismo on-line fosse desenvolvido com técnicas do jornal impresso.

Técnicas de Redação

As técnicas de redação sempre tiveram um grande destaque nos cursos de jornalismo. Mesmo em Portugal, onde não existe obrigatoriedade do diploma, Canavilhas ressalta que as escolas possuem em comum os conteúdos relacionados com técnicas de redação.

A técnica da pirâmide invertida segue uma ordem decrescente de importância da informação: começando com o lead, passando para os assuntos secundários e encerrando. O autor conta que a pirâmide surgiu durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, quando o telégrafo ainda não era tão confiável e os jornalistas tinham que passar as informações mais importantes no início e, se desse, as menos importantes no final.

A pirâmide invertida, batizada assim por Edwin L. Shuman no livro Practical Journalism, tinha sua eficiência provada em casos de rotina e em textos que não exigiam criatividade, mas passou a ser questionada com o surgimento da web. Alguns autores (como Jacob Nielsen, Rosental Alves e José Álvarez Marcos) acreditam que a técnica seja uma boa opção para notícias de última hora na internet, outros (como Ralmon Salaverria e o próprio João Canavilhas) acreditam que neste outro meio a pirâmide pode tirar suas potencialidades, como a de explorar o hipertexto, por exemplo.

O hipertexto permite ao leitor navegar em uma arquitetura que só o ambiente virtual pode oferecer. Enquanto no jornal impresso o jornalista tem um espaço finito para escrever, na web não há. Ele pode oferecer novos caminhos ao leitor e também hipertextos multimídias.
Mas não é só o jornalismo que oferece esta possibilidade. Canavilhas cita o trabalho de Robert Darnton que defende o uso de hipertextos nas publicações acadêmicas. Nesta arquitetura proposta por Darnton, a publicação possuiria seis camadas, sendo que na última estariam as impressões dos leitores e discussões com o autor – o que, Canavilhas acredita, pode ser transposto para o jornalismo.

Pesquisa

Para comprovar que a técnica da pirâmide invertida não é a melhor escolha no webjornalismo, uma pesquisa foi feita com 39 alunos da Universidade Beira do Interior. Eles teriam que ler uma matéria, como fazem habitualmente, sem tempo limite. A notícia inteira tem dez páginas ligadas por links. O objetivo era ver como as pessoas iriam construir o eixo de leitura.

Entre os participantes da pesquisa:
-23% têm rotina de leitura por nível, ou seja, clica no link, mas volta para a página inicial e termina de ler o que havia começado;
-77% criam seu próprio eixo de leitura, de acordo com os links que são oferecidos;
-11% fizeram um percurso de leitura idêntico, com 11 passos iguais.

Canavilhas usa o resultado da pesquisa para argumentar que o método da pirâmide invertida não deve ser regra no jornalismo para internet. Ele explica que no trabalho de redação existem duas característica do texto: a dimensão (quantidade de notícias) e a estrutura (a forma). Assim, cada jornalista deveria escolher o que é melhor para o meio de comunicação. No universo da web, a forma não é tão importante, pois não existem as amarras de um espaço determinado do jornal para preencher.

A webnotícia pode seguir várias estruturas, classificadas pelo autor em:
-linear – os blocos de notícia são ligados por um eixo. Este pode ser unilinear (o leitor não pode ir de um eixo a outro, sem seguir uma ordem, pois as histórias são conectadas) ou multilinear (várias histórias que não precisam do eixo condutor);
- reticular – não tem eixos, assim o texto possui várias possibilidades de leitura;
-mistas – que unem as duas estruturas anteriores.

Por fim, há a proposição de trocar a pirâmide invertida pela deitada. Esta construiria a notícia, segundo os vários níveis de informação. O primeiro seria o da Unidade Base, a ponta, que viria com o lead. O segundo, da explicação, responderia ao porquê e ao como do fato, completando a parte essencial de uma notícia. No nível da contextualização seriam oferecidas mais informações, em vários tipos de mídia. O último, da exploração, ligaria a notícia a arquivos externos e ao próprio arquivo da publicação.

Para que a pirâmide deitada seja aplicada é preciso que o jornalista seja um profissional que se reinventa a cada matéria e saiba aplicar todas as ferramentas da internet em favor de quem busca a notícia.

Alunos: Osias Sampaio
Poliana Lisboa
Pauline Almeida