Uma das principais características da internet, em oposição aos meios de comunicação de massa, é a capacidade de fragmentação da audiência. Os jornalistas produzem conteúdos cada vez mais personalizados, dirigidos a públicos específicos, de acordo com as necessidades e preferências pessoais dos internautas.
O leitor pode selecionar, graças à ferramenta do hipertexto, o conteúdo que lhe interessa, e cabe a ele a escolha da trajetória para chegar até a mensagem, isto é, o receptor pode inteirar-se do conteúdo da forma que achar melhor. Além disso, a interatividade é outro fator que compõe a linguagem virtual, pois a participação da audiência é direta e imediata. Outra diferença importante é quanto à emissão e recepção das notícias, já que a freqüente atualização, muitas vezes em questão de minutos, alterou o conceito de periodicidade no jornalismo.
A possibilidade da reunião de vários formatos jornalísticos como texto, áudio, vídeo, gráficos e fotos, em um só lugar, caracteriza o que se chama de meio multimídia. Entretanto, uma das maiores dificuldades informativas é a falta de elementos para determinar a importância das notícias. O que em um jornal impresso poderia ser ressaltado apenas com o uso da manchete, uma foto que ocupe grandes proporções na página e um texto de muitos caracteres; na internet, a quantidade de páginas relacionadas e a própria construção da página com o objetivo de abrigar o máximo de informações e imagens possíveis dificulta o destaque de alguma notícia.
A produção de materiais jornalísticos neste meio que prima pela velocidade também exige uma revisão dinâmica dos textos, da estrutura ao conteúdo, pois é imprescindível que o profissional mantenha o seu compromisso com a verdade, o que envolve a apuração constante dos fatos e o cuidado com a linguagem.
As exigências gramaticais no online são as mesmas do jornalismo impresso. Apesar das atualizações constantes do jornalismo digital (tornando-o, por vezes, semelhante ao rádio no que diz respeito à fugacidade) diminuírem os impactos de um possível erro, incorreções gramaticais resultam em sérios danos à credibilidade do trabalho jornalístico. O autor defende que as mesmas regras do impresso devem ser seguidas no jornalismo online:
- acentuação e pontuação não devem sofrer variações;
- a estrutura sujeito-verbo-objeto confere mais clareza ao texto;
- sempre que possível, dispensar orações complexas e renunciar ao tempo condicional;
-cuidar com advérbios;
- uso de voz ativa e verbos no presente do indicativo
Neste último ponto, o autor acrescenta que é preciso zelar pela exatidão das datas dos acontecimentos nos meios digitais, uma vez que os conteúdos permanecem por tempo indeterminado na web e que pessoas de diversas partes do mundo (portanto, com horários locais diferentes) podem acessá-los.
Edo defende que a Internet ganha dos meios de comunicação tradicionais no quesito “consulta de notícias de última hora”, daí a necessidade de se produzir textos breves e de qualidade. O meio digital exige capacidade de síntese do jornalista, cujo trabalho deve ser conciso, completo (utilizando-se de todas as possibilidades interativas/ multimídia que o meio oferece) e atrativo.
Existem dois níveis de informação:
1- notícias/ informações (hard news): ou seja, o fato em si
2- crônicas, reportagens interpretativas, entrevistas (soft news): gêneros mais opinativos e analíticos
Para o autor, o primeiro nível se sai melhor nos meios digitais, já que os leitores estão à procura de textos curtos e informativos. O jornalista deve, então, pensar em um texto pequeno, completo, que diga tudo em poucas linhas e que seja interessante o suficiente para atrair o leitor a uma continuação da notícia (um texto mais longo) por meio de um link. Este pequeno texto que fica na homepage (a página inicial) deve seguir alguns padrões do impresso como: lead (5W: what, who, where, when, why), pirâmide invertida (informação mais importante e depois detalhes), linguagem clara e evitar interrogações e negações.
Edo acredita que os “gêneros de opinião são pouco digitais” e que seu refúgio seria o impresso. Como os leitores têm pressa, reportagens mais profundas ou crônicas acabam não funcionando no online. Mesmo jornalistas e escritores com público cativo no jornal impresso perdem seu atrativo na rede. Dessa maneira, esse segundo nível de informação deveria utilizar melhor as possibilidades hipertextuais que o meio digital oferece.
Uma vez que a internet exige uma fragmentação da informação, o autor sugere que ela se dê por meio de links. Na página inicial (ou homepage) estaria o texto principal, ou acontecimento. Depois de lê-lo, o internauta teria a possibilidade de se conectar, pelos links: aos antecedentes do fato (textuais, sonoros ou gráficos), ao contexto atual, às reações e opiniões de especialistas e leitores, a análises, galerias de fotos, vídeos com som ambiente da notícia, fóruns de opinião e links externos relacionados ao tema.
Para Edo, a participação do leitor deve sempre contar com a mediação e intervenção do jornalista, que seria responsável pela adaptação do texto. Ele conclui que ainda há um longo caminho a percorrer até que haja completo aproveitamento, pelo jornalismo, da interatividade que a internet oferece.
Referência
EDO, Concha. “El lenguaje y los géneros periodísticos en la narrativa digital”. Disponível em: www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/barbosa_suzana_jornalismo_digital_terceira_geracao.pdf
Bruna Komarchesqui
Juliana Jovanelli
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