segunda-feira, 27 de abril de 2009

Blogs como nova categoria de webjornalismo

O artigo Blogs como nova categoria de webjornalismo, de Juliana Lúcia Escobar, traz uma análise de como as potencialidades da web – referentes à disposição e à divulgação de qualquer tipo de conteúdo – podem ser exploradas pela produção jornalística em blogs. Para isso, a autora realizou um estudo de caso, utilizando como o objeto de análise o Blog do Noblat, que ganhou destaque devido à cobertura realizada durante o escândalo do mensalão.

A hipótese inicial lançada pela autora é de que o jornalismo de blog tem se apresentado como uma nova categoria para o webjornalismo. A perspectiva adotada para o desenvolvimento desta concepção de produção jornalística em blogs considera aspectos de continuidade mais do que o de ruptura nas características dos veículos. Deste modo alguns atributos são comuns ao jornalismo praticado em diferentes suportes, e estes se somam às potencialidades de cada meio. Para considerar um blog como veículo jornalístico, portanto, a autora busca identificar tais atributos.

Antes de apresentar os atributos de um blog jornalístico, Escobar (2007, p.219) apresenta sua definição de blog. Segundo a autora, eles não mais se limitam a diários virtuais, como foram vistos inicialmente, são, na verdade, “um novo mecanismo de produção e divulgação de conteúdos na web que gera um modelo específico de site”. Ela ainda define três atributos que caracterizam um site como blog: facilidade e agilidade na produção de conteúdo – por dispensar conhecimento de linguagens de programação como HTML, PHP ou JavaScript -; apresentação do conteúdo em ordem cronológica inversa, em que as publicações vão se sucedendo da mais antiga para a mais recente; e registro automático de data, hora e autor de cada post. Além destes atributos básicos, outros podem ser oferecidos por diferentes softwares, como comentáros, permalinks e linkbacks.

A autora também apresenta a diferenciação entro os conceitos de “blog/texto”, “blog/programa”, e “blog/lugar”, proposta por Primo e Smaniotto (2006). Segundo estes autores o “blog/texto” diz respeito a todo o conteúdo produzido pelo blogueiro, podendo ser textos, imagens, áudios e vídeos. O “blog/programa” se refere ao software utilizado para a produção do “blog/texto”. O “blog/lugar”, por sua vez, seria a localização do blog/texto na rede.

Entre os atributos comuns à prática do jornalismo nos diferentes meios, a autora destaca a notícia – matéria-prima da atividade jornalística -, a novidade, a atualidade, a universalidade, o interesse e a veracidade. Esta última, apesar das divergências a respeito da fidelidade e objetividade do relato jornalístico, encontra sua sustentação na idéia consensual de que o jornalismo refere-se à realidade. A partir destes atributos gerais do jornalismo, sua prática, como fruto da ação de agentes humanos, pode incorporar inovações e promover renovações dentro das potencialidades de cada meio.

Segundo Deuze, (2002 apud ESCOBAR, 2007, p.223), “os blogs estariam situados em algum patamar entre os sites do tipo metajornalístico e de comentários e os destinados a compartilhamento e discussão”. De acordo com este autor, os blogs são publicações individuais e personalizadas não podendo, portanto, se configurarem como veículos jornalísticos.

Para Escobar, é justamente a personalização que possibilita considerar um blog como jornalístico, uma vez que é a utilização que cada agente humano faz desta tecnologia que determina o conteúdo do veículo. Deste modo a determinação de um blog como jornalístico depende, fundamentalmente, de uma análise de seu conteúdo, ou seja, da maneira que tem sido explorado pelo blogueiro.

Quando um blog é jornalístico

Para ser considerado jornalístico, um blog deve ser difundido a um grande número de pessoas e divulgar fatos atuais, verídicos, "(...) dotados de atualidade, novidade, universalidade e interesse." (ESCOBAR, 2007, p.224) Não é considerado jornalístico apenas porque quem o mantém é um jornalista, já que seu conteúdo pode se destinar a outros assuntos.

Sobre a difusão, a autora aponta que alguns servidores de blogs tem a opção de acesso restrito para o usuário (Blogger, Livejournal) e, por isso, mesmo que estejam na web, não podem ser vistos por qualquer público. Assim, estar disponível na web não é sinônimo de estar acessível para todos. Para um grande número de acessos, é preciso também que o dono do blog jornalístico se disponha a divulgá-lo para atrair internautas e que o conteúdo seja sempre atualizado, para trazer interesse. Quanto à periodicidade, os blogs jornalísticos costumam manter-se atualizados - respeitando a prioridade do tempo dos meios de comunicação online -, enquanto blogs comuns dependem da disposição do blogueiro.

Blogs jornalísticos e o que trazem de novo

Os blogs inovaram com a mudança no formato de apresentação das informações. A velha diagramação dos veículos impressos, eletrônicos ou online, que chama a atenção para as manchetes ou as notícias consideradas de maior interesse público perdem essa hierarquização. Nos blogs, a importância de uma informação é "(...) a que foi publicada mais recentemente" (ESCOBAR, 2007, p.227). Para que uma publicação tenha mais acessos, segundo a vontade do blogueiro, basta que ele não atualize seu blog, mantendo a notícia no alto da página.

O leitor dos blogs

De acordo com Escobar (2007, p. 229), o único leitor capaz de usufruir plenamente das informações da internet - e, consequentemente, dos blogs de jornalismo – é aquele que já é “web educado”, o seja, aquele que domina a linguagem dos hipertextos e das multimídias. Esse leitor, considerado ideal, seria menos dependente da hierarquização jornalística das notícias porque ele mesmo prefere definir as suas prioridades. Para a autora (id, ibid), ele seria “[...] capaz de desempenhar o papel de webeditor [...]. Apto a ouvir, ler, ver, clicar, teclar – tudo ao mesmo tempo -, seria alguém capaz de agir mais do que rápida, simultaneamente”.

A própria internet tem um caráter pedagógico (ESCOBAR, 2007, p.230), pois ela condiciona o leitor a ler dessa nova forma. Quanto mais se usa a internet e seus recursos, mais se aprende essa cultura da interface. Porém, além de saber utilizar sites e blogs, o internauta precisa ser capaz de reconhecer se essas páginas são confiáveis. Ainda que existam portais consolidados e de credibilidade, nem toda informação está contida neles. Quer dizer, mais do que navegar, é preciso estar informado e ter espírito crítico.

Wolton (apud ESCOBAR, 2007, p. 231) complementa esse raciocínio, pontuando que o problema não é o acesso à informação, mas a capacidade de saber o que procurar. É preciso ter “competência para assimilar o aprendizado”, principalmente porque não há um professor, um pesquisador, ou qualquer tipo de intermediário para facilitar o acesso ao que não se conhece. Para ele, é um tipo de emancipação – não no sentido de “libertação” do intermediário, mas sim no processo de valorização do seu papel. E quem seriam esses novos intermediários da web? Para Escobar (id, ibid), os jornalistas de grande prestígio que migraram para internet - assim como as grandes organizações midiáticas - podem exercer essa função, servindo de filtros e guias tanto para internautas experientes quanto inexperientes. Ela destaca, como exemplo, os comentaristas e colunistas de jornais renomados que, no uso dos seus blogs, não só noticiam um acontecimento como o analisam, interpretam.

Enfim, para a autora (2007, p. 233) os blogs facilitaram a produção e a divulgação de conteúdos para qualquer pessoa. Os jornalistas, porém, ainda tem o seu espaço e desempenham sua função: a de serem ouvidos e de terem as suas opiniões consideradas.

Texto:
Claudia Yamaki
Juliana Teixeira
Natália Rodrigues


Referências bibliográficas:
ESCOBAR, Juliana Lúcia. "Deu no post - blogs como nova categoria de webjornalismo: um estudo de caso sobre o Blog do Noblat". Universidade do Estado do Rio de Janeiro, PPGC. Dissertação de Mestrado, 2007.

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